
Com quase duas horas de atraso no voo de Ho Chi Minh City, no Vietnã, para Siem Reap, no Camboja, minha irmã e eu perdemos a visita ao museu que conta a história do país. Então almoçamos, deixamos as coisas no hotel e seguimos para o Tonle Sap, o maior lago de água doce do Sudeste Asiático. Ele é tão absurdamente extenso que a todo momento você tem a sensação de estar em alto mar. Porém, o que mais me impressionou nem foi a vastidão do lago, mas o que está na sua superfície – a floating village. Pequenas casas de madeira construídas sobre palafitas e habitadas de verdade pelo povo local, diferentemente das casinhas arrumadinhas e cenográficas do Lago Titicaca, no Peru. No vilarejo aquático estão presentes a escola, a igreja, o mercado e uma enorme quantidade de barcos de moradores e de embarcações turísticas. Esse meio de transporte é tão necessário e corriqueiro que é comum ver até crianças pilotando barcos motorizados. Os seus moradores são muito, muito carentes. E observá-los durante o passeio é mais melancólico do que poético. Segundo o nosso guia, essas famílias costumam jantar por volta das dezoito horas para aproveitar a luz natural. Dormem por volta das vinte horas para poupar o uso do gerador, e às quatro da manhã já estão de pé para começar o novo dia. O lago é o que elas conhecem do mundo. Do lago, por meio da pesca e do turismo, elas tiram o seu sustento. No lago elas cumprem suas atividades diárias. No lago elas sonham… sonhos de sobrevivência. O sol brilha e o seu brilho se reflete na água e em tudo que está sobre ela, mas então ele se põe. E quando começa a escurecer, nós precisamos deixar aquelas pessoas para trás. Embora já não seja possível deixá-las de verdade. Depois que você as conhece, é difícil esquecê-las. De algum modo, elas seguem com você. E uma parte sua – aquela que desconhecia esse modo de vida, é deixada com elas… na vila flutuante.
