Cu Chi Tunnels

A visita ao memorial de guerra Cu Chi Tunnels, localizado no Distrito de Cuchi, na Cidade de Ho Chi Minh, provocou em mim sentimentos conflitantes. Conhecer o imenso sistema de túneis e também as estratégias, armas e armadilhas desenvolvidas pelos guerrilheiros comunistas do antigo Vietnã do Sul, os vietcongues, que lutaram ao lado do Vietnã do Norte contra a coalizão formada pelo governo do Sul e os Estados Unidos, é uma experiência interessante. E bizarra ao mesmo tempo. É estranho pensar que o território que esteve por catorze anos sob intenso derramamento de sangue seja hoje uma atração turística que desperta mais entretenimento do que resgate histórico. Durante a visitação eu aprendo um pouco mais sobre a guerra, assisto às demonstrações de uso das engenhosas armadilhas e descubro como funcionava a complexa e claustrofóbica malha de túneis, que era na verdade o principal trunfo dos vietcongues. Eram nesses túneis, estreitos e escuros, que funcionavam quartéis-generais, hospitais, redes de comunicação, alojamentos e depósitos de armas e mantimentos. E de onde os guerrilheiros conseguiam entrar e sair sorrateiramente e assim surpreender e abater seus inimigos. Os buracos no chão revelam que foram executados milimetricamente para que os soldados norte-americanos, mais corpulentos, não pudessem passar. Nesse momento, eu entendo a importância da perspicácia e da criatividade para combater em desvantagem. Ainda assim, o clima descontraído do ambiente é levemente desagradável. Chega a minha vez de entrar num dos túneis e, assim como os demais visitantes, faço graça para a câmera fotográfica. E nada disso conversa com o passado violento desse lugar. Quando então, ao final do percurso, eu encontro uma lojinha de souvenirs, no autêntico american way of life, eu só consigo pensar numa coisa: cadê a porra da saída?

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