
Foi durante uma visita ao Museu de Arte Ateneum, em Helsinki, na Finlândia, que um novo artista passou a fazer parte da minha lista de pintores preferidos. Albert Edelfert. Eu desconhecia sua existência até descobri-na expressão de desolação e tristeza no rosto da menina de uma de suas telas. Uma expressão que me fez chorar. “Conveyng the Child’s Coffin” (“Conduzindo o caixão da criança”) é o nome da obra que provocou em mim uma imediata empatia com a garota que parece segurar tão fortemente um frágil e delicado ramo de flores, como se assim pudesse tê-lo consigo para sempre. Como se estivesse sob seu controle o tempo das coisas. Ou como se pudesse transferir para o buquê o grito contido. O sentimento não compreendido. As perguntas sem respostas. A impotência. E a incapacidade de corrigir o que certamente foi um erro do Universo. O seu semblante e o seu olhar perdido me fizeram voltar àquele mesmo vazio onde ela está nesse momento. O vazio para onde são levadas as pessoas que perdem o chão. Que perdem o rumo. Que constatam como é difícil mergulhar nas lágrimas que escorrem do rosto e da alma. Que se sentem desamparadas. Sozinhas. Perdidas. E que desnorteadas tentam desesperadamente encontrar uma saída. E então descobrem que não há saída. Nem de emergência. E que o único meio de voltar ao mundo dos vivos é cavar uma abertura com as próprias mãos, as mesmas que agora tentam encontrar um apoio que lhes impeça a queda. Albert Edelfert. O artista que morreu em agosto de 1905, aos 51 anos, foi um dos precursores no movimento de arte realista na Finlândia e um dos primeiros finlandeses a conquistar fama mundial. A imagem da família que transporta no barco um pequeno caixão foi completamente recriada pelo pintor ao ar livre, assim que a cena passou diante dele. Como afirmou um dos críticos de seu trabalho, Edefert era “talentoso na arte de retratar os sentimentos”. Eu soube disso no exato instante em que coloquei os meus olhos sobre aquela pintura.

