
Depois da partida do Porto de Vancouver, no Canadá, uma imensidão azul é só o que os meus olhos veem durante mais de quarenta horas de navegação. Tempo além do suficiente para que eu perceba o quanto o nosso navio, um gigante com capacidade para mais de dois mil hóspedes, é capaz de encolher, como uma Alice assustada, diante de um oceano sem fim. Na minha primeira viagem a bordo de um Cruzeiro eu descobri que, independentemente das atrações que ele ofereça, os melhores momentos são aqueles em que eu posso me sentar junto ao mar e contemplá-lo. E sair do transe meditativo apenas quando baleias despontam no horizonte. É emocionante vê-las exibirem suas enormes caudas e esguicharem fortemente enquanto nadam livres e alheias à existência de tanques e da vida em cativeiro. Essa sensação prazerosa só é superada quando o navio alcança um novo porto e eu posso deixar para trás os limites que ele impõe. Então, quando finalmente atracamos na cidade de Ketchikan, nossa primeira parada no Alasca, eu posso caminhar, respirar ar puro e fazer de conta que eu também sou verdadeiramente livre, que as limitações não existem e que não nadamos todos num grande tanque.
