





Assim que terminamos o café da manhã, fomos ao encontro do nosso guia. Ele então nos levou até às bicicletas, que já estavam preparadas para o nosso passeio pela cidade portuária de Hôi An, província de Danang, na costa central do Vietnã. Nosso grupo, formado por apenas três pessoas – nosso guia, minha irmã e eu, integrou-se facilmente ao tranquilo trânsito da cidade. No percurso, nós desviávamos das poças d’água formadas pela chuva da noite anterior e parávamos para fotografar os campos de arroz, tão bonitos e poéticos quanto imaginamos que seriam. Depois paramos na modesta casa de uma família de agricultores, pois uma das propostas do tour era vivenciarmos uma parte de sua rotina. Então, encostamos nossas bicicletas em frente à casa e recebemos do nosso anfitrião um sorriso generoso e também um avental e o tradicional chapéu de cone, o Nón Lá. Ele seguiu para a plantação de hortaliças e nós fomos atrás, atentas às suas demonstrações de como preparar a terra para o plantio. Na sequência, ele nos fez arregaçar as mangas e colocar as mãos na terra, a fim de plantarmos as nossas próprias mudas. Honestamente, eu estava com medo de que o idioma fosse uma barreira intransponível para a nossa comunicação e a gente ficasse desconfortável, mas a nossa interação, feita a partir de gestos, mostrou-se eficiente e nós conseguimos dar boas risadas. Embora tenha ficado aquela vontade enorme de falarmos a mesma língua para conversarmos por horas a fio. O nosso anfitrião, ainda que ligeiramente tímido, sabia como nos deixar à vontade. Acabado o “trabalho” na plantação, voltamos à casa e recebemos uma relaxante massagem nos pés, a foot massage, famosa e tradicional no Sudeste Asiático e uma atração à parte para os turistas. O almoço, aguardado com grande expectativa, não decepcionou. E foi como toda refeição vietnamita: um desfile de pratos e combinações interessantes. E para enobrecer ainda mais a experiência, com a nossa participação na cozinha. Primeiro, observando a nossa anfitriã e depois reproduzindo seus pratos. Uma omelete sem ovos, cuja base é farinha de arroz e açafrão para dar cor, recheada com camarão e carne de frango e transformada num wrap depois de ser enrolada com alface e pepino numa folha de papel de arroz. Uma salada de folhas verdes recém colhidas e talvez plantadas com a ajuda de outros visitantes. Trouxinhas de camarão, carne de porco e folhinhas de hortelã amarradas com cebolinha. E isso só para começar. No término da visita nós já estávamos tão familiarizadas com as pessoas e com o ambiente que nos acolheu com tanto carinho que nos despedimos com lágrimas nos olhos. Eu já não me lembro os seus nomes, mas ainda os vejo nitidamente na memória e sinto saudades. No final da tarde, devolvemos as bicicletas no hotel e batemos perna pela preservada Cidade Antiga, declarada Patrimônio Mundial da Humanidade, pela Unesco. O bairro, já tão encantador, fica ainda mais bonito à noite, quando as inúmeras lanternas coloridas estão acesas e refletem-se nos canais e nas pessoas que caminham animadamente pelas ruas estreitas e lojinhas de artesanato. Atravessamos a Ponte Japonesa, uma outra beleza histórica do lugar, que foi construída em madeira por volta de 1600 para facilitar o comércio entre as comunidades japonesa e chinesa. Estátuas de cachorros guardam uma de suas entradas e estátuas de macacos, a outra, e determinam o ano de início e término da construção da ponte pelo calendário chinês. Parece que o tempo parou em Hôi An e essa tranquilidade nos inspira a caminhar vagarosa e calmamente para observar seus detalhes. As vendedoras de verduras e legumes no mercado central, que sentam com seus cestos sobre as calçadas. As pequenas embarcações de pescadores que percorrem o Rio Thu Bon ou que aguardam pacientemente nas suas margens pelo passeio com turistas que desejam conhecer a cidade sob outro ângulo. As casas amarelas de dois andares, que servem de moradia e também de comércio. A arquitetura bem preservada que mistura o estilo colonial francês, templos chineses, pagodas e casas vietnamitas e evidenciam o legado deixado pela diversidade cultural do tempo em que era um importante porto. A iluminação que enriquece o cenário e que é formada predominantemente por lanternas vermelhas, que na cultura vietnamita representam alegria e lealdade. Como é gostoso se deixar envolver pela atmosfera pacata dessa cidadezinha tão charmosa e única, que nos envolve como um forte abraço.
