Um tesouro chamado Jalapão

O Jalapão, que fica no Estado do Tocantins, é um destino remoto e de difícil acesso. Para conhecê-lo é imprescindível disposição e certo espírito de aventura. A viagem é longa e parte dela, cerca de duas horas e meia, é feita num caminhão 4×4 que percorre a estrada de terra bastante acidentada à 30km/h e nos joga de um lado ao outro e de lá para cá num chacoalhar sem fim. Um comprimido de dramin na minha mochila teria sido muito útil. A chegada ao acampamento Korubo, montado à beira de um trecho do rio Novo, é celebrada, mas provoca um certo estranhamento inicial. Um estranhamento que se desfaz assim que conhecemos a barraca suíte, ampla e confortável, que será nosso abrigo durante a estadia de cinco dias e quatro noites. À base de aquecimento solar, os chuveiros ficam numa espécie de galpão coletivo com boxes individuais e, evidentemente, com entradas distintas para mulheres e homens. As refeições (maravilhosas) acontecem num segundo recinto e todos se sentam à uma única e grande mesa, como a da Santa Ceia. No exclusivo grupo de turistas existem os falastrões e os reservados, mas, em geral, as pessoas são educadas e divertidas. Os atrativos são afastados uns dos outros, mas todos os cenários compensam os longos deslocamentos no 4×4. Em meio à beleza exuberante do Cerrado fazemos canoagem nas águas cristalinas do Rio Novo e trilha na Serra do Espírito Santo, nos banhamos em cachoeiras e no Fervedouro (poço onde ocorre o fenômeno da ressurgência – água que brota num solo de areia fininha que ao ser revolvida nos impede de afundar), conhecemos o artesanato local feito com capim dourado, do qual são dependentes economicamente alguns de seus habitantes, e assistimos a pores do sol espetaculares. O caminho de volta para Ponte Alta, onde o 4×4 é substituído pelo carro que nos leva até Palmas, é igualmente demorado e tortuoso. Ainda bem. Eu li numa revista que existe um projeto de pavimentação da estrada para aumentar o desenvolvimento turístico da região, o que seria um desastre para suas riquezas naturais. Hoje, é um alívio pensar que é justamente a dificuldade de acesso que mantém protegido esse lindo e inestimável tesouro chamado Jalapão. 

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