Naquela esquina

Ela não percebeu que eu a observava, mas sua presença despertou meu interesse assim que eu a descobri sentada sozinha naquele banco. Quando o táxi parou no sinal vermelho entre as avenidas Roberto Marinho e Engenheiro Luís Carlos Berrini, eu olhei para a minha direita e notei que aquela garotinha olhava fixamente para o alto de uma árvore cujos galhos balançavam fortemente com o vento. Talvez um pássaro ou o farfalhar das folhas tivesse captado sua atenção. De qualquer modo, eu fiquei pensando numa possível razão para que ela estivesse sozinha em frente àquele Conjunto Habitacional e naquele estado contemplativo. Era uma cena melancólica e ela me parecia tão jovem, talvez tivesse uns cinco anos. De camiseta rosa, calças jeans e um tênis branco, ela podia estar à espera de alguém. Talvez da mãe que terminaria de se arrumar e então desceria para que elas fizessem um passeio juntas. Talvez tivesse combinado de encontrar uma amiguinha. Ou talvez tivesse fugido de uma discussão entre seus pais e buscado refúgio na solidão. Quando esse último pensamento passou pela minha cabeça eu me senti triste e quis logo expulsá-lo. O semáforo abriu, mas eu senti tanta vontade de permanecer ali. Na verdade, eu queria sair do carro, caminhar em sua direção e me sentar ao seu lado. Mas só o que eu pude fazer foi desejar a ela uma vida plena e feliz.

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