
“Algumas semanas atrás, no campo, longe das luzes da cidade, vi o céu inteiro “polvilhado de estrelas”; eu imaginava que só seria possível ver um céu assim em platôs altos e áridos como o de Atacama, no Chile (onde ficam alguns dos telescópios mais potentes do mundo). Foi esse esplendor celeste que de súbito me fez perceber o pouco tempo, a curta vida que me resta. Minha ideia de beleza celeste, de eternidade, ficou inseparavelmente mesclada a uma ideia de transitoriedade – e de morte. Falei para os meus amigos Kate e Allen: “Gostaria de ver de novo um céu como esse quando estiver morrendo”. “Levaremos você para fora”, eles disseram. Encontro consolo, desde que escrevi em fevereiro sobre meu câncer metastático, nas centenas de cartas que recebo, nas expressões de amor e apreço e no sentimento de que (apesar de tudo) eu talvez tenha tido uma vida boa e útil. Continuo a me sentir muito feliz e grato por tudo isso, mas nada mais me afeta como o céu repleto de estrelas daquela noite.”
