
Uma pequena vila de pescadores, a uma distância de mais de 100 quilômetros de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte. Uma Capela de São Miguel Arcanjo, erguida no início do século dezenove, como pagamento de uma promessa feita por um comerciante local que atribuiu ao seu Santo de devoção a cura de uma doença. Um pescador, e um dos primeiros moradores da Vila, famoso pelos causos engraçados e pela maneira gostosa de rir. “Ele ria gostoso”. São Miguel do Seu Gostoso foi como as pessoas passaram a identificar a cidade. Na data de sua emancipação, como já havia uma outra São Miguel, assim ela foi registrada: São Miguel do Gostoso. E eu nem precisei do Google para pesquisar a origem do nome desse paraíso. O motorista que nos levou do aeroporto de Natal até a pousada, na modesta cidadezinha de praias lindas e tranquilas, sabia de tudo um pouco. Eles sempre sabem. Os motoristas e taxistas acostumados a trabalhar com turistas, quando gostam do que fazem, sempre dão uma boa primeira impressão de um novo lugar. O taxista que pegamos no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, parecia um sujeito antipático, mas quando me viu apontar para a Basílica do Sacré Coeur e dizer Amélie Poulain para a minha irmã, abriu um amigável sorriso e passou a indicar cada uma das belezas do trajeto. O que nos buscou numa festa junina na Cidade de Goiás desligou o carro no meio da mais completa escuridão para que pudéssemos contemplar um céu estrelado espetacular, que nos fez entender o termo “chão de estrelas”. O taxista de Brumadinho, em Belo Horizonte, era um senhorzinho miúdo, engraçado e falante que transformou numa atração à parte a distância percorrida entre o Instituto Inhotim e o nosso hotel. A hospitalidade desses profissionais e as histórias que compartilham estão sempre associadas às minhas boas lembranças de viagem.










